Newsletter · 30 de outubro de 2026

Ousadia na forma, rigor no fato.

Só fatos, com fonte. Denúncia aparece como denúncia. O que é registro fica separado do que é hipótese.

SalvadorQuem manda em Salvador · Episódio 1

O prefeito tem candidato para fiscalizar o prefeito

Bruno Reis declarou apoio a Alexandre Aleluia para presidir a Câmara de Salvador, o órgão que fiscaliza a Prefeitura. O STF decide entre 6 e 13 de novembro se o atual presidente pode disputar de novo.

No domingo (25/10), depois de votar no segundo turno, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), disse que Alexandre Aleluia (Novo) é o nome de consenso entre os vereadores da base para presidir a Câmara a partir de 2027. “Alexandre construiu praticamente a unanimidade na base”, afirmou. Segundo o prefeito, o desafio de Aleluia é pacificar todo o Legislativo, e a independência entre os Poderes deve ser preservada.

O apoio foi selado na sexta (23/10), em encontro na sede do União Brasil, com lideranças de nove partidos: União Brasil, PP, PSDB, Cidadania, PL, DC, PRD, PDT e Novo. Aleluia anunciou 23 dos 43 votos. Em 28/10, a imprensa baiana já contava 33. A oposição se reuniu com ele e adiou a decisão sobre apoio.

A disputa no STF

O atual presidente, Carlos Muniz (PSDB), assumiu em 2023, após a renúncia do antecessor, e foi eleito para 2025–2026. O PDT acionou o STF em 23/09 para viabilizar um terceiro mandato dele. O MP-BA recomendou em 1º/10 que ele não dispute. O ministro Gilmar Mendes negou a liminar, e o recurso do PDT vai ao plenário virtual de 6 a 13/11.

A Prefeitura também falou ao tribunal. Em manifestação datada de 26/10 e assinada em 27/10, pediu que o STF rejeite o recurso do PDT. Argumentou que “a alternância é aferida pelo exercício efetivo do cargo, não importando a forma como se deu a investidura” e que tem interesse no caso porque o presidente da Câmara é o segundo na linha de substituição do prefeito.

Por que isso importa

A Câmara exerce o controle externo do Município, previsto no art. 31 da Constituição. Nenhuma fonte consultada aponta irregularidade no apoio. O que fica registrado é quem apoia quem, e quem comandará o órgão que fiscaliza a Prefeitura.

Ficha de Bruno Reis
O prefeito
Ficha de Alexandre Aleluia
O apoiado
Ficha de Carlos Muniz
O barrado

O que Aleluia já propôs

2019
Tirar o nome de Paulo Freire de uma escola municipal. Projeto dele, aprovado pela Câmara em dezembro. A escola passaria a se chamar José Bonifácio.
2025
Proibir caixas de som e amplificadores nas praias de Salvador. Projeto protocolado em fevereiro.
2025
Vetar a contratação de artistas com letra sexual explícita. Virou a Lei 9.864/2025, sancionada por Bruno Reis, e vale para eventos pagos com dinheiro público.
Partido
DEM (2019), PL (2025), Novo (2026).

O que ainda está em aberto

6 a 13/11
O STF decide se o atual presidente pode disputar de novo.
Oposição
Reuniu-se com Aleluia e adiou a decisão sobre apoio.
Muniz
Disse que só lança candidatura se puder concorrer e que não decidiu se apoia outro nome.
A eleição
Os veículos divergem sobre a data: dezembro ou fevereiro.

Limites Não localizamos posição da oposição nem nota de Aleluia ou da Prefeitura sobre este episódio. Nada aqui é conclusão nossa.

Fontes A Tarde, Bahia Notícias, Bahia.ba, ISTOÉ, Correio e Constituição Federal.

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IndígenasMato Grosso do Sul

O que está acontecendo com os indígenas no Mato Grosso do Sul?

Desde o segundo turno, povos Guarani e Kaiowá denunciam ameaças e violência no estado. Um áudio atribuído a um servidor da prefeitura de Tacuru cita veneno na água das aldeias. Não há comprovação de que a água tenha sido contaminada.

Em 25/10, no segundo turno, povos Guarani e Kaiowá passaram a denunciar ameaças e violência no estado. Depois, áudios com ameaças circularam em grupos de WhatsApp. Em um deles, atribuído a um servidor da prefeitura de Tacuru, há referência a pôr veneno na água das aldeias.

A resposta

Prefeitura
O servidor foi afastado e responde a processo disciplinar. O prefeito pediu desculpas e atribuiu as falas à euforia após as eleições.
MPF
Abriu apurações em 28/10 e deu 48 horas à Prefeitura de Tacuru para se explicar.
PF
Foi acionada para checar origem e autenticidade dos áudios.
Força Nacional
Patrulha, desde 29/10, as aldeias Sassoró, Taquapery e Limão Verde, em Tacuru.
Governo federal
Força-tarefa com três ministérios: Povos Indígenas, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O Ministério da Justiça pediu às corregedorias estaduais as denúncias recebidas.

O que dizem os outros lados

A Secretaria de Segurança de MS diz que “não procede a informação de genocídio contra povos indígenas no estado”. Segundo a nota, as forças de segurança atuam quando acionadas, para preservar a ordem pública e prevenir conflitos. Não localizamos posição de produtores rurais e de entidades do setor. O espaço segue aberto.

Na quinta (29), a Apib enviou carta ao presidente pedindo medidas urgentes contra a violência, a demarcação ainda em 2026 das 73 terras indígenas declaradas e uma reunião sobre a participação das organizações no próximo mandato.

A denúncia que caiu

Em Naviraí, segundo o MPF, lideranças das comunidades negaram ataques. O caso foi uma tentativa de duplo homicídio por desentendimento familiar, as fotos que circularam estavam adulteradas e as vítimas não têm histórico de pertencimento indígena.

O que ainda não foi confirmado

Assassinatos
Desde 24/10, o Cimi fala em ao menos cinco, em investigação.
Atropelamentos
Em Coronel Sapucaia. Relato da Apib.
Água em Nioaque
Suspeita de contaminação. Relato da Apib.
Ameaças
De morte e atos racistas. Relato da Apib.

Os números não fecham

5+
Cimi: assassinatos de indígenas em MS desde 24/10.
3
Governo federal: indígenas entre 10 mortes por violência política no país, de 24 a 28/10.
6
Apib: Guarani e Kaiowá assassinados em MS entre 2022 e 2026.

O governo ainda não divulgou balanço só com os casos de indígenas.

Limites Denúncias aparecem como denúncias. Nada aqui é conclusão nossa.

Denunciar WhatsApp do Ministério dos Povos Indígenas: (11) 98202-5433.

Fontes Agência Brasil, G1, Ministério Público Federal, O Globo e governo federal.

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EleiçõesFlávio Bolsonaro

A saga de um derrotado: passaporte, jato e um brasão errado

Perdeu na terça. Na quarta, já nos EUA, assinou como “presidente eleito”. A culpa, segundo um aliado, é do ChatGPT.

A ordem de Moraes

Na noite de domingo (25/10), o ministro Alexandre de Moraes ordenou, em decisão sigilosa, a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro, no âmbito de um inquérito no STF. Flávio diz que a ordem se baseia numa fala do irmão, Eduardo. Essa é a versão dele. Na segunda, em vídeo, perguntou: “Isso é Justiça?”. O prazo para entregar os documentos à PF vencia na terça (27), às 11h.

Terça: o dia das versões em choque

Manhã
Aliados dizem que ele não saiu do país: “óbvio que é mentira”.
11h
O prazo termina. A PF cancela os passaportes.
12h30
A Argentina nega registro de entrada. A imprensa local diz que ele passou.
22h50
Flávio atravessa a ponte de Foz do Iguaçu para a Argentina.

A rota

27/10 · 22h50
Foz do Iguaçu: cruza a ponte.
27/10 · 23h30
Puerto Iguazú: embarca.
28/10 · 5h48
Guayaquil: o jato abastece.
28/10 · 10h25
Miami: pousa.

O jato é um Gulfstream G400 da Baires Fly, e o plano de voo indicava Guayaquil.

O que se disse, o que se confirmou

Aliados, terça
“Ele não saiu do país.” A Argentina confirma a saída por Misiones.
Argentina, terça
“Sem registro de entrada.” O registro mostra entrada às 22h50.
Argentina, terça
“Nenhum avião com essas características decolou.” O Gulfstream G400 decolou de Puerto Iguazú.

Quarta: PF, Flávio e a carta

A PF diz que ele “não é foragido”: não há registro de saída nos postos, e a restrição de documentos não autoriza prisão. A PF apura o descumprimento da ordem. Já nos EUA, Flávio se disse “verdadeiro presidente eleito”. Quem foi proclamado pelo TSE foi Lula, com 51,79% dos votos válidos. Um aliado, Carlos Jordy, disse que Flávio saiu para não servir de “moeda de troca” contra o impeachment de Moraes.

A carta divulgada na quarta tem três páginas. Na primeira versão, ele se diz “presidente eleito”, alega fraude no segundo turno, critica a decisão do STF sobre a votação, pede a cassação da chapa Lula-Alckmin, chama as investigações de perseguição e cita exílios históricos para justificar a saída do país.

O brasão errado, explicado

A carta circula com o nome oficial do país anterior a 1967, “Estados Unidos do Brazil”, com z. O nome oficial vigente desde a Constituição de 1967 é República Federativa do Brasil. Em 29/10, Paulo Figueiredo, que divulgou o texto, atribuiu o brasão antigo e o “presidente eleito” ao ChatGPT, usado pela conta @BolsonaroSP. Segundo ele, a equipe de Flávio compartilhou três versões da carta. É a explicação dele e não foi verificada.

O que ainda não fecha

?
Por que a Argentina negou a entrada na terça e confirmou depois?
?
Quem pagou o jato?
?
Por que o plano de voo previa Guayaquil?
?
Visto ou asilo?
?
Que documento usou?
?
Quantas versões da carta existem? Três, segundo Figueiredo.

Limites Horários variam entre fontes. Não vimos a decisão de Moraes, que é sigilosa. As falas vêm da imprensa e não procuramos a defesa. A explicação de Figueiredo para a carta é dele e não foi verificada. “Saída do país”: a PF diz que ele não é foragido.

Fontes Aos Fatos, Agência Brasil, CNN Brasil, Gazeta do Povo, O Povo, Correio Braziliense, Metrópoles e TSE.

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VídeosNo Instagram

Os vídeos

Os mesmos fatos, em vídeo. Toque para assistir no Instagram.

A trajetória que ninguém conhece de Flávio Bolsonaro
O que dizem os fatos do debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na Band
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Para reler

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Capa: A trajetória política de Flávio BolsonaroA trajetória política de Flávio Bolsonaro13 cards

Flávio Bolsonaro entrou na política aos 21 anos e hoje disputa o segundo turno da Presidência. Em sete anos de Senado, apresentou 62 projetos como autor principal, e só dois foram aprovados pelo Senado. O patrimônio que ele declara foi de R$ 1,74 milhão em 2018 para R$ 8,1 milhões em 2026. Passam por sua trajetória uma denúncia de rachadinha que acabou sem julgamento, uma emenda de R$ 199.999,79 que a PF investiga, o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e um voo que ele disse nunca ter feito. Em cada ponto, o que é fato, o que é investigação e o que ele nega.

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Capa: O plano de governo sem númerosO plano de governo sem números15 cards

Registramos o plano de governo de Flávio Bolsonaro no TSE: são 76 páginas. Separamos o que promete, o que não diz e o que não bate com os dados. Cada card tem a fonte.

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Capa: A emenda de R$ 199.999,79 e a Polícia FederalA emenda de R$ 199.999,79 e a Polícia Federal10 cards

A PF encontrou mensagens entre uma assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro e Robson Calixto, o Peixe, condenado por integrar a organização criminosa dos irmãos Brazão. Em novembro de 2023, o Instituto Ifop, na Taquara, recebeu uma emenda de R$ 199.999,79 do senador. A PF apura desvio de emendas, e Flávio não é alvo da operação. Ele diz que os repasses seguiram critérios técnicos e legais.

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Capa: A casa de apostas e Flávio: o que a piauí mostraA casa de apostas e Flávio: o que a piauí mostra12 cards

A piauí publicou que documentos indicam que Flávio Bolsonaro foi sócio indireto de uma casa de apostas. Ele e o empresário Willer Tomaz negam. O que a reportagem mostra e o que ainda é só suspeita?

A apuração é da piauí. A gente resumiu o caminho, separou o que é registro do que é hipótese e pôs a resposta de cada lado.

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Capa: O caso Ana Clara no debate da BandO caso Ana Clara no debate da Band9 cards

Por que todo mundo está falando do caso Ana Clara?

No debate da Band (18/10), Lula perguntou a Flávio Bolsonaro por que ele atuou na defesa do policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói (RJ), em 2021. Flávio respondeu que não se pode criminalizar a advocacia. A busca pelo tema passou de 1 milhão em 24 horas.

O que os veículos registram: Flávio aparece entre os advogados em um recurso ao STJ, em 2024, que foi rejeitado. O júri, marcado para 21/10, foi remarcado para 05/05/2027, segundo a mãe. O PM ainda não foi julgado.

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Capa: O que Flávio votou, disse e respondeu sobre mulheresO que Flávio votou, disse e respondeu sobre mulheres14 cards

O debate acabou, mas as notas da Alerj continuam lá.

"O que você tem contra as mulheres?", perguntou Lula. O que Flávio votou, disse e respondeu em mais de 20 anos de política? A gente foi atrás dos fatos, em fontes diferentes.

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Capa: Quanto a comida subiu em cada governoQuanto a comida subiu em cada governo9 cards

A comida ficou mais cara nos governos de Jair Bolsonaro e de Lula, mas em ritmos diferentes. Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas do IPCA subiu 46,2% entre 2019 e 2022 e 16,9% de 2023 a setembro de 2026. Em reais, R$ 100 em comida passaram a custar R$ 146,24 no primeiro período e R$ 116,90 no segundo.

O carrossel também reúne dados do Dieese sobre a cesta básica, o salário mínimo, a fome e o Desenrola, cada um com sua fonte. Lula tem 3 anos e 9 meses de governo nos dados, contra 4 anos completos de Bolsonaro, e os cálculos que são nossos estão assinalados nos cards.

Qual é a sua conta? Colou? Cola em alguém.

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Capa: O PT está há 20 anos no governo?O PT está há 20 anos no governo?14 cards

Dizem que o PT está há 20 anos no governo. É isso mesmo?

A gente colocou os 526 anos de Brasil na linha do tempo e foi atrás dos fatos: colônia, escravidão, república, ditadura e cada governo.

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Capa: Os 526 anos do Brasil em númerosOs 526 anos do Brasil em números6 cards

O Brasil tem 526 anos. Em quantos deles não existiu escravidão? E por quanto tempo cada governo ficou no poder?

A gente foi atrás dos fatos e fez as contas com datas oficiais.

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